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Quando você tinha três anos, você sabia o seu sobrenome completo?! E marca do seu refrigerante favorito, você já reconhecia?
Pois um instituto da Inglaterra - Compass (http://www.compassonline.org.uk) realizou uma pesquisa de lembrança de marcas com crianças inglesas com idade média de 3 anos. 70% reconheceram a marca do Mc Donalds. Porém, apenas 50% das mesmas sabiam dizer seu próprio sobrenome! Vocês duvidam?! Eu não.
Racionalmente pensando, que utilidade tem um sobrenome do ponto de vista de uma criança de 3 anos? Muito mais útil, em sua percepção, é reconhecer e apontar o M gigante do Mc Donalds para seus pais, pois na certa já aprendeu que, ao chorar, tem a possibilidade de conseguir umas guloseimas gostosas, como batafas fistas, hansburgui e figeranti. Em contrapartida, pouca coisa acontece se ele disser Lucas da Silva Mendonça Figueiredo de Sousa. Provavelmente um aperto nas bochechas.

E é pra isso que servem as marcas, não?! Elas devem ser consistentes o bastante para trazer de imediato à mente das pessoas todas as sensações, experiências e desejos que a empresa espera transmitir ao público. É puro trabalho de marketing. Não é fácil alcançar esse posto.
Tudo bem, pode ser até preocupante, tendo em vista o pouco dissernimento das crianças, que são bombardeadas diariamente com fantásticas ofertas de mundos mágicos, podendo gerar má alimentação, obesidade e tudo o mais. Por outro lado, cabe também aos pais entenderem que não podem criar uma bolha que "proteja" seus filhos das ofertas da propaganda, até porque, em termos de sistemas capitalistas, são os comerciais e as experiênicas que deles acarretam, que as pessoas formam suas opiniões e preferências enquanto consumidoras, já desde pequenas.
Cabe aos pais dar uma de marqueteiros e participar da construção da marca na cabeça da criança, simplesmente educando-os sobre a frequência e o momento desse tipo de alimentação. Se realmente eles relacionarem o junk food a certos momentos de lazer, acredito que o olhar da criança sobre a marca se molda e se educa, sem ser contraditório sobre o que a mídia martela, pois a criança continuará a enxergar a marca como algo de diversão, alegria e entretenimento, contudo não acreditará que o Big Mac substitui o arroz, feijão e bife do almoço em casa.
Contudo, todavia, se você conhece uma criança que insiste diariamente em Mc Lanche, Mc Fritas, Mc Tudo, é só chamá-lo seriamente pelo seu nome e sobrenome completo. Duvido que ela não entenda o que isso significa.
Continuo aqui minha turnê (de férias, diga-se de passagem), mas, dicionário quatropês na mão, só observando as situações. P de Praia é também P de Ponto de Venda. Ô beleza o lugar por onde esse meu olhar foi parar hoje.
A praia é uma praça muito interessante. Lá, quem tem ponto fixo é a clientela, e o vendedor é o que bate perna. É como uma venda porta-a-porta, só que tirando-se as portas.
Sinalizando de certa forma o potencial de mercado, existem os milhares de ambulantes, que nos rodeiam como mercadores viajantes. Alguns vendem itens meio que commodities, como tatuagem de henna e chapéu com peruca rastafári (acredito que, com essas ofertas, atinjam mais fortemente o turista, pois é o tipo de cliente que está disposto a comprar o que ele, em sua terra, não compraria). Outros, no entanto, ganham a vida vendendo bens de consumo de marcas consolidadas no mercado, como protetores solar, bebidas, cigarros.
É nesse ponto que residem oportunidades fantásticas para a indústria. Sei que elas também visualizam o pequeno comerciante como seu cliente, mas em termos de comunicação institucional, nada melhor que o knowhow da própria fábrica. E assim, grandes empresas estão agindo pelas beiradas e conquistando seu lugar ao sol no litoral brasileiro. A Sundown iniciou uma experiência de expansão de mercado ao enviar carrinhos com seus produtos para mais de 40 praias brasileiras. A Ambev também não ficou só na sombra e mandou seus carrinhos para algumas praias bem badaladas.

Um ponto importante a se observar nessa empreitada, contudo, são os hábitos de cada ambiente. Em várias praias, o banhista tem acesso a estrutras poderosas de barracas, onde ele é servido com todo conforto em sua mesa. Nesses locais, o interessante é observar outros hábitos como, por exemplo, os dos praticantes de esportes. Para quem curte um frescobol, futebol ou vôlei de areia, nada mal a visão de um carrinho de uma empresa de água levando uma garrafinha "à domicílio". A compra ali o pouparia de parar sua partida para retornar até a barraca e matar sua sede.
E por que não se inspirar em alguns ambulantes? Em certas praias eles cedem suas cadeiras e sombrinhas para quem estiver consumindo. Marcas podiam se unir e fazer isso também. Tipo uma marca de salgadinhos e outra de bebidas. As barracas e cadeiras poderiam ser personalizadas com as marcas e tudo ficaria um astral só.
Agora, cá entre nós: uma pesquisa de mercado dessa não seria nada mal, heim? "E aí, fulano, como anda a pesquisa?! Já encontrou a praia ideal para nosso produto?!"; "Ainda não, chefe, mas pode deixar que estou suando muito nessa busca."
Vocês já perceberam como se desperdiçam por aí estratégias de Mercado?
Acho que devíamos criar uma Campanha de Uso Racional do Marketing, É, tipo radical mesmo, sabe, todo mundo saindo por aí abraçando outdoors, vestidos apenas com malas diretas pregadas no corpo, atirando tomates podres em campanhas chinfrins, passeatas carregando cartazes: "SOS pensamento criativo", coisas simples assim.
Exagero, claro. Também não é assim, só achei divertido fazer essa comparação. Mas olha só, acredito sim, que as empresas desperdiçam o potencial que às vezes lhes cai de mão beijada.
Meu ex-colégio, por exemplo, reuniu sábado passado vários ex-alunos em uma feijoada super bacana no pátio da escola, e faz isso há muitos anos. Eu acho uma iniciativa muito, muito simpática e admirável, mas acredito também que tudo deveria ser melhor aproveitado, empresarialmente falando. Essas festas não devem ter cunho apenas de uma agradável reunião de ex-alunos, mas sim ter um objetivo de mercado definido e dos bem fortes, mas claro, sem ser agressivo.

Nem sempre as ações de marketing se dirigem diretamente ao target. Em serviços educacionais, há um ciclo de uso totalmente delimitado: não há reutilização pelo próprio cliente após o término do serviço. Assim, o sujeito a que a mensagem estaria destinada seria o ex-aluno, mas o alvo seriam seus filhos, sobrinhos, parentes e amigos.
Eu desenvolveria, para esses eventos, estratégias de marketing viral. Ou seja, aproveitaria o momento emotivo para reconquistar e rentabilizar o ex-aluno, estimulando-o a fazer nossa divulgação espontaneamente. Desenvolveria diversas estratégias, que, além de estimular boas recordações, os ex-alunos se sentissem seguros para indicar o colégio, convictos de que a boa experiência que tiveram no passado está ainda melhor no presente.
O que poderia ser feito? Aqui, rapidamente pensando: mandaria, junto à Mala Direta Convite, um folder com todas as novas vantagens do colégio, e, de repente uma promoção que daria ótimo desconto nas mensalidades de filhos ou indicados de ex-alunos. Na festa, e de uma forma discreta, como quem não quer nada, rechearia o colégio de cartazes sobre a qualidade atual do ensino, e, deixaria, em fácil disposição de quem estivesse interessado, os valores das mensalidades. Aproveitaria as salas para serem tipo stands promocionais de cada série, onde colocaria os nomes dos professores, suas qualificações, o método de ensino e alguns destaques do ano que passou, como : "fulano de tal, matriculado na 2ª série de nosso colégio, foi vencedor nacional do concurso de matemática". A data da festa também seria marcada de forma estratégica: por meados de outubro e novembro, onde os pais estão escolhendo os colégios para seus pupilos. Também não deixaria de me comunicar com ex-alunos, mesmo os que não foram à festa. Todo colégio possui um banco de dados maravilhoso e acho que deveria ser melhor utilizado.
Viu?! O Marketing pode transformar simples feijoadas de ex-alunos em um festival de feijões mágicos que levariam qualquer colégio a encontrar ovos de ouro.